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José Luís Castro assumiu a liderança do Grupo Sotecnisol com apenas 26 anos, num dos momentos mais difíceis da empresa. Teve de tomar decisões duras para garantir a sobrevivência do negócio. Mas teve também de aprender a liderar com margem para errar. 

Quando assumiu a liderança do Grupo SotecnisolJosé Luís Castro, atual CEO, tinha apenas 26 anos e encontrou uma realidade muito diferente daquela que esperava. A empresa, tal como todo o setor da construção, atravessava um período conturbado de crise, com clientes a falir e pressão financeira constante. Apesar de contar com o apoio do seu antecessor, o pai, José sentia o peso da solidão. “Estava muito sozinho e tive de me automotivar, aprender sozinho, o que é muito difícil”, recorda. Na altura, liderar não era uma abstração teórica, mas uma questão de sobrevivência, com decisões que impactavam diretamente dezenas de famílias que dependiam da empresa.

O processo de recuperação exigiu medidas duras e rápidas. Implicou uma redução de custos e estrutura, revisão profunda dos processos e um foco quase obsessivo na disciplina financeira. “Tivemos de fazer uma grande redução de pessoas”, recorda apontando que o momento “foi dramático” para si, enquanto jovem líder. O foco era proteger a maioria dos postos de trabalho, garantir que a empresa voltava a crescer. Esse compromisso levou-o, mais tarde, a procurar reintegrar algumas das pessoas que tinha sido forçado a dispensar, num esforço de reconstrução que marcou a cultura do grupo.

Ao longo dos anos, a Sotecnisol transformou-se num grupo diversificado, com presença internacional e atividade em áreas como construção, energia, ambiente, água e agroindústria. De uma empresa com cerca de 6 milhões de euros de faturação, passou para um grupo com dezenas de empresas e uma ambição de crescimento contínuo. Essa evolução, garante o CEO, não foi apenas estrutural. Foi também pessoal.

José Luís Castro reconhece que o seu estilo de liderança teve de mudar: “Penalizava muito as pessoas pelo erro e tinha equipas que não queriam decidir por medo de errar”. A consciência desse bloqueio levou-o a repensar a forma como geria equipas e a criar um ambiente onde o erro passou a ser parte do processo de aprendizagem. Hoje, lidera uma organização mais complexa e exigente, mas também mais preparada para o futuro.

Entre a industrialização da construção, a aposta na energia e o posicionamento como one-stop shop, o Grupo Sotecnisol tenta afirmar-se como um player relevante num setor em transformação. Para José Luís Castro, o desafio é o mesmo desde o início: tomar decisões difíceis com racionalidade, rodear-se das pessoas certas e garantir que a empresa está sempre em movimento. Até porque, como realça, “não consigo estar ao leme de um barco preparado para ancorar. Tenho de estar a todo o vapor”.

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